07/09/2010 - 00:00h    
 

Comunicado Importante
Videolar está preparada para iniciar a produção de Blu-Ray no Brasil - Ver Video

Mercado

 

DE CABEÇA NA ONDA AZUL

A chegada do Blu-ray ao Brasil traz uma enorme expectativa no mercado de home video. Para a Videolar, porém, a tecnologia é apenas mais uma que vem para atender a demanda de seus clientes.

 

AVideolar, fornecedora de mídia virgem e gravada, anunciou em maio deste ano a clientes e fornecedores, a fabricação da mídia Blu-ray no Brasil. Não há dúvidas de que a chegada desta tecnologia é uma esperança para a revitalização do mercado de home entertainment, em geral. Entretanto, a novidade, que para muitos se apresenta como a luz no fim do túnel, para a Videolar “é tratada como mais um dia de trabalho como prestadora de serviço, que vai produzir o que o mercado pedir”, segundo palavras do próprio presidente da companhia, Phillip Wojdyslawski.

 

VER VIDEO foi à sede da empresa, em São Paulo, tirar esta história a limpo. Encabeçada pelo próprio Wojdyslawski, além do diretor de operações, Carmo Caparelli, do gerente geral, André Ghion e de Elói Parisotto, gerente divisional industrial, obtivemos preciosas informações sobre a real situação para o pontapé inicial da produção de Blu-ray no parque industrial instalado na Zona Franca de Manaus. Além disso, levamos duvidas e questões de importantes nomes do mercado nacional sobre esses e outros assuntos. Confira!

 

 

Tecnologia e Pioneirismo

 

Um dos pilares do mercado e desbravando um outro terreno desconhecido, a Videolar enxerga longe.

 

A Videolar já é maior de idade. Completou 21 anos de existência em 2009. Mas não é de hoje que a empresa pode se gabar pela conquista da confiança e do respeito de grandes clientes e dos consumidores brasileiros. Além da credibilidade de todo mercado que atende, prêmios como o Top Social ADVB 2008, concedido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil para a atuação socialmente responsável por meio do Projeto Valor (em 2008), Valor 1000 – Setor de Plásticos e Borracha, concedido pelo Jornal Valor Econômico à melhor empresa da categoria (em 2007) ou ainda o prêmio As Melhores da Dinheiro, concedido pela Revista IstoÉ Dinheiro, como título de Melhor Empresa no Setor de Plástico e Borracha do ano (em 2006) atestam tal afirmação.

 

A HISTÓRIA - Fundada em 1988 por Lirio A. Parisotto, na cidade de Caxias do Sul, logo a Videolar se tornou um importante nome no ramo de produção e distribuição de mídias magnéticas e digitais virgens ou gravadas. Velhos e conhecidos jargões como “servimos bem para servir sempre” ou mesmo “o cliente tem sempre razão” se encaixam perfeitamente na essência da empresa.

Hoje, Phillip Wojdyslawski, presidente da companhia, diz que a Videolar nada mais é do que uma prestadora de serviços, que está apta para atender todas exigências e gostos de seus clientes, entre eles, distribuidoras de peso como Fox Film do Brasil, Europa Filmes e Paramount Home Entertainment. Segundo o executivo, no final de 2008, a companhia percebeu a necessidade de clientes e parceiros em terem o tão sonhado Blu-ray nacional, produzido por aqui. Sem exceção, todos deram uma previsão de que o momento para a nova “tecnologia azul” emplacar seria no ano de 2010.

Foi a partir daí, então, que a companhia iniciou os estudos para a implementação da indústria fabricante de mídia Blu-ray na Zona Franca de Manaus, uma vez que os filmes disponíveis com esta tecnologia atualmente são todos importados, o que encarece o custo em todas as etapas do processo e aumenta o preço final para o consumidor.

Na verdade, pode-se dizer que as atrações e benefícios que englobam o Blu-ray pertencem ainda a uma camada específica da população, aquela que tem condições de investir em todo o equipamento necessário para desfrutar uma produção em todo seu esplendor e usufruir todos os recursos que esta oferece.

 

MOTIVAÇÃO - No meio de todo este processo, entretanto, um ponto parece comum a todo o mercado: a Copa do Mundo, que acontecerá no ano que vem e contará com transmissão digital, traz a expectativa de que o público adquira aparelhos de televisões em alta definição, players e os demais acessórios que compõe o equipamento para conferir os detalhes dos jogos de futebol.

A partir daí, com a possível queda dos preços dos equipamentos, e agora também na mídia, a tendência é que o Blu-ray se massifique e ganhe outras perspectivas, assim como foi com a chegada do DVD. Naquela época, a Videolar passou a investir na produção da mídia. Era meados da década de 90, mas foi só em 2002 que passou a colher os frutos dos investimento que estavam sendo feitos.

 

FILOSOFIA - Para a empresa, o foco não está no retorno financeiro do investimento realizado. Carmo Caparelli, diretor de operações, diz que este é investimento institucional necessário para o desenvolvimento do mercado. “Em dois ou três anos vamos ter o mercado viabilizado economicamente. Hoje não é, mas vamos investir para que seja viável”. Já Wojdyslawski afirma que não há como prever o tamanho que este mercado terá. “Nós fazemos o que os nossos clientes pedem para fazermos. Se houver consumo, vamos investir em mais máquinas. Estamos aqui para servi-los. Conforme o mercado for se desenvolvendo, estaremos investindo nesse segmento”.

O fato é que a Videolar passa a replicar a mídia Blu-ray e disponibilizar o produto final aos clientes e parceiros entre janeiro e fevereiro de 2010. O executivo calcula que a produção de 1,2 milhão de cópias não paga o investimento feito pela Videolar. “Queremos, antes de tudo, desenvolver o mercado para que amanhã precisemos de três, quatro linhas de produção. E aí, sim, tornar o negócio inteiro rentável”. Nada mais do que foi feito no passado!

 

MÁQUINA DO BLU-RAY

 

Para a Videolar fazer a fabricação da mídia Blu-ray, ela irá utilizar a máquina Bluline II, da marca alemã Singulus. A Bluline II será utilizada para a replicação de discos. Para a produção da mídia, a gigantesca máquina realiza 12 processos, dentre eles a injeção plástica, refrigeração, metalização etc. São, atualmente, cerca de 60 máquinas desse modelo espalhadas pelo mundo. Na fábrica da Videolar, localizada na Zona Franca de Manaus, as máquinas chegarão no mês de novembro. A equipe da Videolar passará por um treinamento para a operação da Bluline II.

 

 

Entrevista

 

HEGEL BRAGA (DIRETOR DE MARKETING 20th CENTURY FOX HOME ENTERTAINMENT BRASIL)

A Microservice anunciou que até o final deste ano terá uma linha de produção de Blu-ray instalada em Manaus. Em vista dessa notícia, quais os planos da Videolar para essa tecnologia?

 

PHILLIP WOJDYSLAWSKI – Nossos planos não têm absolutamente nada em vista desta notícia. Em maio, anunciamos para os nossos clientes que até fevereiro de 2010 estaríamos com a nossa linha de Blu-ray instalada e pronta para produzir para eles. Naquele momento, estávamos terminando a negociação da compra da linha de produção. Nossos planos continuam iguais, mesmo antes dessa notícia, como também continuam depois dela.

 

PAULO VALENTE (DIRETOR GERAL UNIVERSAL) E MARCELO BERMUDEZ (DIRETOR DE MARKETING UNIVERSAL)

Qual a previsão da Videolar para que ela inicie a produção de Blu-ray no Brasil?

 

WOJDYSLAWSKI – Vamos instalar a máquina no final deste ano. Só que não conhecemos a tecnologia Blu-ray da mesma maneira que conhecemos a tecnologia do DVD. Não quis prometer para os nossos clientes que nós vamos ter ainda este ano a máquina já funcionando. Para o cliente, não interessa quando a máquina estará funcionando, mas sim quando ele receberá o produto. Entre janeiro e fevereiro, vamos ter o produto disponível para os nossos clientes. No passado, demorou seis meses entre colocar a máquina de DVD e a saída do produto final. A tecnologia era totalmente nova e diferente da tecnologia do VHS. Por isso houve a demora. A tecnologia do Blu-ray é da mesma família do DVD. Tem uma base mais parecida com o DVD, do que o DVD foi para o VHS. Acreditamos que o período entre a instalação da máquina e a entrega

do produto para os clientes será menor do que foi no caso DVD. Estamos colocando dois meses de prazo. Sendo assim, entre janeiro, fevereiro do próximo ano, teremos o produto para os nossos clientes.

 

DILSON SANTOS (VICE-PRESIDENTE 20th CENTURY FOX HOME ENTERTAINMENT BRASIL)

Phillip, estamos acompanhando o crescimento do Blu Ray no mercado internacional e no Brasil. Qual a sua visão para este novo formato?

 

WOJDYSLAWSKI – Sabemos que o Blu-ray não é simplesmente o aparelho do Blu-ray. Também é preciso o monitor, a televisão compatível para poder desfrutar as diferenças... Sabemos que é nos esportes onde essa tecnologia faz a diferença na televisão. Nos esportes mais do que qualquer coisa! O evento da Copa do Mundo, que será em junho do ano que vem, criará um mercado para essas televisões, que ainda são a peça mais cara do aparato total. Tendo essa televisão, que as pessoas já vão comprar por causa da Copa do Mundo, acho que aí vai crescer o volume das televisões. Com essa televisão você vê a grama, os detalhes da fisionomia das pessoas... Eu nunca assisti porque não gosto de esportes, mas as pessoas que assistem dizem que realmente é maravilhoso. É uma diferença brutal. Com o aparelho de Blu-ray tendo o preço diminuído já nesse final do ano, em torno de mil reais, e em meados do ano que vem, provavelmente ainda mais barato, acho que aí o mercado estará pronto. Não estará massificado porque ainda não vai se consolidar no seu primeiro momento, mas acho que ele estará pronto.

 

 

VER VIDEO – O senhor acha que o brasileiro está pronto para investir em toda essa tecnologia?

 

WOJDYSLAWSKI – O brasileiro é o ser humano mais surpreendente que existe de todos os 120 poucos países membros da ONU (Organização das Nações Unidas) e junto com os outros dez que não. O brasileiro tem uma capacidade inacreditável de se virar. A pergunta: “O brasileiro está pronto para fazer esse investimento?”. Eu não sei se ele está pronto, mas tenho certeza que eventualmente vai ser feito. Por isso falei que neste primeiro momento o consumo do Blu-ray não vai se massificar. Não vai ser uma coisa como é hoje o DVD. Com certeza, não no ano que vem. Mas acho que estabelece o mercado e eventualmente vai baratear. Tenho certeza que a própria televisão vai baixar de preço, o Blu-ray vai baixar ainda mais de preço. De certa maneira, haverá um crescimento de mercado. Já o tamanho que esse mercado vai se tornar, bem, isso ninguém sabe, não dá para prever. Em todos os mercados em que a Videolar atuou, nós vamos fazendo conforme os nossos clientes pedem para fazermos. Vai haver mais consumo, vamos investir em mais máquinas! Estamos aqui para servir os nossos clientes. Conforme o mercado for se desenvolvendo, nós estaremos investindo nesse segmento.

 

JORGE MAGALHÃES (DIRETOR GERAL SONY DADC)

Acha razoável o cronograma de dezembro anunciado em função das dificuldades técnicas ainda existentes para se produzir BDs?

 

WOJDYSLAWSKI – Temos dois fatores... Depende do que se quer dizer. Existe a dificuldade de trazer uma linha, implementá-la e iniciar a produção. E existem os problemas que as linhas de BDs

têm na produção. Esses são dois problemas diferentes. Trazer a máquina, instalar e iniciar a produção, eu não vejo que é problema para dezembro. Mas uma máquina que produza 400 mil unidades por mês irá produzir 400 mil unidades em fevereiro, eu garanto que não. Será em março? Também não. O mercado ainda não está tão desenvolvido. O nosso mercado ainda não é de 200 mil peças por mês. Vamos conseguir produzir, num primeiro momento, um número X, que vai ser o bastante para suprir o mercado. Conforme o mercado for crescendo, nós vamos melhorar a produção da máquina, vamos trazer mais máquinas. Trazer a máquina e instalar para fazer até dezembro? Dá... Temos um relacionamento antigo com a nossa fornecedora de máquinas, que é a empresa alemã Singulus. Já adquirimos diversas máquinas deles.

 

CARMO CAPARELLI

Trabalhamos com a Singulus há 12, 13 anos...

 

WOJDYSLAWSKI – Estamos há 12, 13 anos trabalhando com a Singulus. Trazer a máquina e instalar não há problema. Já atingir o objetivo que nós gostaríamos de ter da máquina, vai demorar mais tempo.

 

VV – As máquinas já chegaram?

 

WOJDYSLAWSKI – Não, elas não chegaram, mas devem chegar mais ou menos em novembro.

 

VV – Os funcionários vão passar por algum treinamento para operar as máquinas que produzem o Blu-ray ou o processo é parecido com o DVD?

 

ELOI PARISOTTO – A máquina, apesar de ser mais complexa em termos de operação, não é tão

diferente da máquina do DVD e não tem grandes diferenças operacionais.

 

VV – Mas virá uma equipe do exterior para cá ministrar um treinamento?

 

PARISOTTO – Vamos enviar o nosso pessoal para ser treinado na Alemanha.

 

WOJDYSLAWSKI – Mas sempre alguns técnicos vêm para acompanhar o processo. E sempre mandamos o nosso pessoal também. Isso acontece em todas as áreas e faz parte do pacote quando estes equipamentos são adquiridos, especialmente máquinas de alta tecnologia.

 

VV – Comparado com outros equipamentos, esta nova máquina pode ser considerada uma das mais modernas?

 

PARISOTTO – Esta máquina é de última geração! Temos, basicamente, três fornecedores: a Sony, a Singulus e um chinês, que não lembro o nome. A disponível no mercado é a da Singulus. E é o equipamento que está se saindo melhor no mercado atualmente. O mais top é essa máquina da Singulus.

 

WOJDYSLAWSKI – Tem a da Sony, mas ela não vende para ninguém. O equipamento da Sony é só para a Sony. Dos equipamentos acessíveis tem o da Singulus e existe um chinês. Parece que a Singulus já tem umas 60 máquinas pelo mundo...

 

PARISOTTO – Ela tem em torno de 60 máquinas vendidas, a Sony tem 110 e o terceiro tem dois ou três equipamentos a menos. A nossa é realmente uma máquina de última geração. Com o passar do tempo, eles farão máquinas mais rápidas. Acredito que a segunda linha que nós vamos trazer será de uma geração ainda melhor, assim como foi com o DVD. Nossas primeiras linhas de DVDs eram mais devagar que as linhas mais novas que temos hoje. E com certeza a do Blu-ray vai pelo mesmo caminho.

 

VV – Quando o projeto para trazer o Blu-ray teve início?

 

WOJDYSLAWSKI – No ano retrasado, ficou definida a guerra entre o HD-DVD e Blu-ray. Quando ficou definida esta guerra é que decidimos que teríamos que investir no Blu-ray. Nunca tivemos dúvida de que investiríamos nisso. A dúvida era quando seria o momento certo, quando os nossos clientes sentiriam a necessidade da produção local... E isso nós sentimos entre o final do ano passado e o início deste ano. Sentimos que existia um movimento mais sério relacionado ao Blu-ray do que existia no ano anterior. Então, começamos a participar de feiras, a conversar com os fabricantes. E não há muitos fabricantes. Na verdade, é apenas um fabricante. Como temos um relacionamento já de muitos anos com esse fabricante, foi fácil. Começamos a conversar com os nossos clientes entre março, abril desse ano. Todos davam a previsão de que o Blu-ray chegaria em 2010. Baseados nas previsões é que decidimos que 2010 seria o momento e que teríamos

que ter a linha toda.

 

VV – Os clientes da Videolar já estão fazendo pedidos do Blu-ray?

 

WOJDYSLAWSKI – Hoje, já existe o Blu-ray que importamos. Nós temos a permissão da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para podermos importar o Blu-ray. E nós importamos o Blu-ray! Nós fabricamos o próprio estojo e hoje temos a possibilidade dos nossos clientes distribuírem o Blu-ray neste sistema. Na verdade, é uma transição da importação para a fabricação local. Isso vai acontecer automaticamente. Não é que já existem pedidos. Será uma transição. Não é um produto novo que hoje não tem e amanhã teremos. Hoje, nós temos o importado. Amanhã, vamos parar de importar e começar a fabricar. É uma transição da importação para a fabricação local.

 

VV – Como funciona hoje o processo de produção do Blu-ray?

 

WOJDYSLAWSKI – Ele já vem pronto e nós só fazemos a replicação. Os fabricantes da Zona Franca de Manaus têm uma isenção para poder trazer pronto. Fazemos o manuseio, colocamos no

estojo e fazemos a distribuição. A diferença é que em vez de termos o disco, vamos ter a master.

 

VV – Qual a previsão de produção da Videolar no Brasil?

 

CAPARELLI – A previsão que nós temos é de fechar com 300 mil unidades colocadas no mercado esse ano. No ano de 2010, é de 1milhão de peças. Em 2011, trabalhamos com o número de 1,5 milhão. É um crescimento geométrico, assim como foi com o DVD. Mas ainda carece muito de informações sobre o preço que vamos oferecer quanto ao hardware para o consumidor final. A grande barreira hoje não é o software, não é o Blu-ray, e sim o hardware. Ele ainda tem um preço que é inacessível para o consumidor final. Enquanto encontramos lá fora aparelhos de grandes marcas, que no Brasil se vende a US$ 600, US$ 700, no exterior é possível encontrar a US$ 150, US$ 180. Isso deve baixar muito rapidamente, como aconteceu com outras tecnologias. Com esse preço caindo, o número pode ir para 1,2 milhão, 1,4 milhão. A equação está mais vinculada ao preço do hardware para o consumidor final do que o software e a disponibilidade do software. A mídia será consequência do parque industrial instalado. Na época do DVD, foi a mesma coisa.

 

VV – Um filme em Blu-ray tem um preço médio entre R$ 80 e R$ 120. A Videolar tem ideia de

quanto este valor pode cair a partir da fabricação no Brasil?

 

WOJDYSLAWSKI – Nós não participamos da estrutura de preço dos nossos clientes. Não é a nossa área. Dentro do custo tem royalties de artistas, de diretores etc. Existem muitas coisas que influenciam o preço do software e que não tem absolutamente nada a ver conosco. É muito difícil para nós opinarmos porque cada um tem a sua política comercial. Nós nunca participamos e não cabe a nós em dizer como isso vai chegar para o consumidor final.

 

VV – Mas em termos de produção, para a Videolar, este custo será significante?

 

CAPARELLI – Hoje o custo do Bluray não está no Brasil, está lá fora. O disco já vem pronto. Quando a produção se iniciar por aqui, e se cobrarmos pelo custo, seria muito mais caro. Imagina produzir 200 mil, 400 mil peças de cada título... Nosso mercado ainda é muito pequeno. A indústria nacional, que vai fabricar a mídia, terá que subsidiar o produto e manter esse produto competitivo. A Videolar vai subsidiar esse mercado como sempre fez. Vamos bancar o mercado até que ele tenha um crescimento e seja viável economicamente. Hoje, se fizermos uma análise econômica para o investimento de uma linha de produção, essa conta não fecha.

 

VV – Qual a expectativa de retorno para o investimento que a Videolar está fazendo?

 

CAPARELLI – Nosso investimento é muito mais institucional e de desenvolvimento do mercado. Em dois ou três anos, teremos o mercado viabilizado economicamente. Hoje, este mercado não é, mas vamos investir para que seja viável.

 

WOJDYSLAWSKI – Mesmo 1,2 milhão de cópias não pagam o investimento que a Videolar fez. Queremos desenvolver este mercado para que amanhã precisemos de três, quatro linhas de produção. Aí sim o negócio inteiro será rentável. Nunca uma única linha de produção será rentável. Nós vislumbramos o desenvolvimento do mercado. Imaginamos que dentro de um período o ercado cresça e amanhã necessitemos de mais linhas. Não é diferente do que foi feito no DVD. aquela época, foi feito da mesma maneira. Era um mercado que não sabíamos se iria deslanchar. Eram as mesmas dúvidas de custo, se o brasileiro estaria pronto para trocar o VHS pelo DVD... Hoje, dizemos, sim, ele trocou. Agora, ele vai trocar o DVD pelo Blu-ray? Acredito que ele vai trocar. Tem uma diferença de qualidade. As pessoas que assistem a um Blu-ray não conseguem voltar ao que era antes. Claro que primeiro vai atingir a uma camada específica da sociedade para depois começar a descer. Não é uma coisa massificada. Colocamos fé no mercado e não na rentabilização de uma linha de produção.

 

VV – Na época da implantação do DVD, quanto tempo levou para haver um crescimento?

 

CAPARELLI – Em 1998, iniciamos a produção do DVD. Ele começou a se tornar viável economicamente a partir de 2002. Tornou-se um produto mais conhecido e utilizável a partir de 2002. A única percepção que nós temos é que, a cada nova tecnologia, o ciclo de vida do produto é muito menor. O primeiro produto tecnológico de vídeo foi o VHS. E ele durou em torno de 25 anos. O DVD ficou cerca de dez anos. Com essa mudança tecnológica agora, não sabemos ainda qual a maturidade do Blu-ray.

 

WOJDYSLAWSKI – Nós não sabemos se o Blu-ray vai durar cinco anos, dez anos ou até talvez até mais do que o VHS. É uma incógnita que ninguém pode responder hoje. Mas isso é um pouco do histórico da Videolar. Quem desenvolveu o mercado de VHS foi a Videolar. Quem desenvolveu o mercado de CD foi a Videolar. Quem desenvolveu o mercado de DVD foi a Videolar. Quem investiu durante muitos anos para viabilizar um mercado para colher frutos foi a Videolar. Nós sempre fizemos isso. Se amanhã aparecer uma tecnologia diferente do Blu-ray, nós vamos estar lá de novo investindo nesta próxima tecnologia. Bem ou mal, essa é a história das nossas vidas.

 

VV – Em entrevista à VER VIDEO, o Wilson Feitosa (diretor geral da Europa Filmes) disse que não acredita no Blu-ray como uma nova tecnologia. A Videolar acredita que o Blu-ray será esta nova tecnologia?

 

WOJDYSLAWSKI – O Wilson está no mercado desde o início. E eu respeito o Wilson, ele tem a opinião dele. Ele está no mercado e põe a cara para bater. Não é a Videolar que deve dizer o que vai ou não existir. Nós prestamos serviços. Se houver demanda, se existe o produto, vamos investir. Não estamos aqui para dar opiniões sobre o que acontecerá. O Wilson tem uma opinião que tem que ser respeitada, como todas as outras. O cliente pede e nós fazemos. Nós não lançamos moda, nós somos os “alfaiates”. Você quer uma coisa e nós fazemos. Nós não temos opiniões. Se hoje o mercado tivesse pedindo HD-DVD, nós estaríamos produzindo. Não desenvolvemos tecnologia. Existia uma briga para definir qual seria a tecnologia melhor. Nós vamos fazer aquilo que o cliente quiser. É isso! Nós fazemos estojo preto, mas se o cliente quer estojo verde, nós vamos fazer! Se ele quer um slim, nós fazemos slim! Eu não vou dizer o que é mais bonito ou melhor. Nós somos “alfaiates”!

 

VV – O que o senhor que dizer com “alfaiates”?

 

WOJDYSLAWSKI – Somos uma prestadora de serviços, o cliente pede e nós fazemos! Nós não lançamos moda, não somos designers de roupas, nós somos os “alfaiates”... O cliente pede e nós vamos fazer. Nós defendemos um mercado e queremos ser os mais eficientes nele. Estamos aqui para atender o que o cliente quer. Nós somos alfaiates.

 

JORGE MAGALHÃES

Considerando as dificuldades de masterização dos BDs, principalmente do BD-50, o senhor acha que adiantaria hoje se comprar uma linha replicadora de BDs sem estar comprando uma Mastering Line, já que ainda existem sérias dificuldades para masterização e fabricação de stampers de BDs?

 

WOJDYSLAWSKI – Já vamos receber o produto pronto para replicação. Assim como no DVD, começamos importando. O master já chegava pronto para a replicação. Com o passar do tempo, chegamos a ter quatro linhas de masterização, as quatro em Manaus. Começamos dessa maneira e terminamos com quatro linhas de masterização. Vamos começar desta maneira com o Blu-ray e a demanda vai dizer quantas linhas teremos no futuro. É importante dizer que importar o master é permitido pela legislação na Zona Franca de Manaus. Você pode importar sem problema nenhum.

 

WILSON FEITOSA DIRETOR GERAL DA EUROPA FILMES)

Philip, o senhor acredita que o BD poderá corrigir a queda sentida pelo DVD nos últimos anos?

 

WOJDYSLAWSKI – Existem duas quedas. Existe uma de unidades e uma de preço. Corrigir e voltar ao que era, não acredito. Mas certamente vai ajudar o preço médio. Dar uma corrigida para cima do preço médio. As empresas irão faturar mais. Com a entrada do Blu-ray também pode haver uma baixa maior no DVD. É uma nova equação e temos que ver como é que vai acontecer.

 

FEITOSA

Como o senhor observa a iniciação do video-ondemand no Brasil e no mundo?

 

WOJDYSLAWSKI – O video-ondemand é uma alternativa de entretenimento, outro jeito de entrega do produto. Novamente, eu digo: não sabemos como será esse mercado. Estamos em conclusão de estudos para colocar o site da Videolar com distribuição de VOD. Mas é um projeto que ainda não está pronto. Há uma receptividade dos clientes. Ainda não sabemos qual tecnologia usaremos, se a de streaming ou download. Isso vai demandar mais tempo. Agora está tendo no Brasil a distribuição das bandas largas. Isso é fundamental porque vai facilitar a introdução da tecnologia do video-on-demand.

 

VV – O senhor acha que o VOD é concorrente com as tecnologias físicas que estão chegando?

 

WOJDYSLAWSKI – Para os jovens, o laptop é a vida deles. Tudo está lá. Existe mercado para tudo. A televisão que faz download em avião acabou com as outras mídias? Não, não acabou. Hoje, existe a mobilidade. Hoje, você vê uma pessoa no metrô assistindo a um filme. Também tem gente que quer ver um filme em casa. É a mesma coisa com o jornal, quando chegou a Internet. Mas o livro continua forte, o jornal continua forte... O VOD terá o seu público. As pessoas querem ter diferentes experiências.

 

FEITOSA

Quanto tempo de vida o senhor acha que a mídia física terá de forma economicamente viável?

 

WOJDYSLAWSKI – É difícil prever isso. A mídia física não tem um custo tão absurdo. No final, não tem muita diferença entre o custo de um DVD e do VOD. A mídia virtual não vai ser de graça. A mídia física será uma opção por muitos anos. A tendência da tecnologia está sempre na questão da diminuição do tamanho. Os celulares estão ficando cada vez menores e mais finos. A tela está ficando menor e isso é prejudicial para o filme. Ainda não fizeram nada que deixasse a tela grande. Isso já tira uma gama de pessoas que não querem assistir a um filme em uma tela pequena. A pessoa que quer o VOD, quer uma experiência diferente porque ele está, por exemplo, no metrô sem ter o que fazer.

 

VV – O senhor acredita que a pirataria pode chegar ao Blu-ray?

 

WOJDYSLAWSKI – Espero que demore muito para chegar e que nunca chegue. Mas acho que é um pouco demais. Ela vai acabar chegando. Na época do DVD, não se pensava que chegaria a pirataria. No Blu-ray, esperamos que não entre e, se entrar, que demore muito. Isso será bom para todas as empresas e lógico que será bom para a Videolar porque teremos um mercado legal por um longo período. Nós sofremos mais do que todo mundo, sofremos por todos do mercado.

 

MARCOS OLIVEIRA (DIRETOR EXECUTIVO MOTION PICTURE ASSOCIATION BRASIL-MPA) O que a Videolar tem feito e o que planeja fazer nos próximos 12, 24 meses no combate à  pirataria?

 

WOJDYSLAWSKI – Para nós, combater a pirataria é uma coisa muito complicada. Tentamos lutar

o máximo que podemos junto com as autoridades. Nós somos os maiores prejudicados de todos. Mais do que a gente faz é um pouco difícil. Não temos instrumentos nas mãos que nos permitam fazer um combate. Pessoalmente, acho que enquanto não houver uma lei que puna o usuário do pirata, enquanto não pegar uma madame com filmes piratas na sacola e a levar para a delegacia, não vai adiantar nada. A UBV (União Brasileira de Vídeo) sempre fala que, em conversas com os delegados, eles alegam que estão atrás de assaltantes, estupradores etc. Quanto tempo eles teriam que correr atrás de alguém que está copiando filmes? Então, coloque-se no lugar do delegado. O que você vão falar para ele? Neste País, infelizmente, assim como o assaltante, o estuprador e o assassino vai para a prisão e três horas depois é solto, com o pirata acontece a mesma coisa. Mas a madame, que vai presa e solta depois de três horas, já não compra mais. O pirata não! Ele volta e continua fabricando mais filmes. Se pudesse ter uma legislação que punisse o consumidor, aí realmente se estaria no caminho para acabar com a pirataria. Infelizmente, a legislação que temos dificulta. Mesmo a do meu amigo da Motion Picture. A MPA faz o máximo, nós fazemos o máximo. Mas a lei tem um limite. Não existe uma lei que puna o consumidor. Temos que encontrar uma maneira de ter uma legislação que puna o consumidor. Colocar uma madame na prisão resolve? Essa gente não precisa do pirata para assistir um filme, elas assistem porque tem impunidade.

 

WILSON CABRAL (DIRETOR GERAL SONY PICTURES BRASIL e PRESIDENTE UBV) e ...

JULIANO BOLZANI (DIRETOR MARKETING SONY PICTURES HOME ENTERTAINMENT RASIL)

A pirataria no audiovisual gerou e gera perdas para todas as companhias envolvidas neste segmento. Como a Videolar está enfrentando a situação de entrada de mídias virgens ilegais

junto aos órgãos do Governo?

 

WOJDYSLAWSKI – O nosso maior concorrente em relação a mídia virgem é o contrabando. Tentamos lutar com as autoridades para termos um preço mínimo na importação e assim termos uma concorrência leal. É isso o que nós fazemos.

 

CAPARELLI – Fazemos um trabalho em Brasília, com a Receita Federal e todos os órgãos competentes, para identificar o produto que tem nota fiscal, que vem com a inscrição do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CGC/CNPJ) dentro do miolo do produto. E também tem o produto que entra no Brasil pelo “descaminho”, que é o contrabando, que vem do Paraguai... A produção nacional não representa nem 20% do mercado, 80% vêm do contrabando. Isso é um trabalho feito nos principais portos, nas fronteiras do País. Mas é um produto que é facilmente contrabandeado porque ninguém vê maldade nisso. Acham que é um produto social. Que vai ajudar o desempregado. Não é isso que é dito na rua?

 

VV – A Videolar vende a mídia virgem somente para pessoas jurídicas?

 

WOJDYSLAWSKI –Vendemos só para pessoa jurídica, com exceção do nosso site, que vende em

quantidade menor. Nós não vendemos genéricos, temos uma marca que é a EMTEC e não vendemos sem nota fiscal. Temos um custo muito alto. A pessoa que contrabandeia não precisa de nota fiscal. Ele não se importa com a marca, ele está vendendo conteúdo. Para ele, tanto faz a marca. Nós só vendemos para estabelecimentos legais, vendemos para todos os magazines.

 

WILSON FEITOSA

A Operação Manaus, sempre defendida pelo laboratório e tão prejudicial às distribuidoras, continua sendo uma operação lucrativa? Não valeria a pena fazer hoje um trabalho tributário para viabilizar a distribuição diretamente das sedes das distribuidoras e os laboratórios cumprirem apenas o papel de fabricante?

 

CAPARELLI – Só existe esse mercado de distribuição de mídias no Brasil porque esses produtos foram fabricados na Zona Franca de Manaus. Pela legislação em vigor em Manaus, lá é o único Estado que possibilitou que todos os insumos de fabricação tivessem uma série de isenção de tributos de importação. A Zona Franca tem todos os tributos suspensos, do policarbonato, das máquinas e dos equipamentos que são importados. Pergunta: Compensa investir em Blu-ray na América do Sul? Não, esquece! O Brasil estaria fora do mercado de Blu-ray ou entregaríamos para a importação, que seria o mercado mais interessante. Quando se fala que a Zona Franca traz um custo adicional, eu diria que ela viabiliza o produto a ser nacional e ser customizado como produto nacional. O mercado de música era totalmente fomentado pela importação. Na década de 80, 90, começaram a ter os subsídios da música, de convênios de impostos, que conseguiram ser competitivos com o mercado internacional. Com o DVD foi a mesma coisa, mas aí criaram uma codificação diferente da área americana. Por isso tínhamos uma barreira para esse produto. Se não fosse essa barreira de entrada, que não está numa área igual Manaus pela tributação, esse produto não seria fabricado no Brasil. Com o Blu-ray, se não tivéssemos o benefício de importarmos equipamentos por Manaus e fabricar por lá com redução dos impostos, nós estaríamos importando o produto acabado. Uma máquina barata custa R$ 3,5 milhões por Manaus. Por São Paulo, seria no mínimo 30% mais caro. Os custos de Manaus são elevados para nós, mas foi a única forma econômica viável através de tributos.

 

FÁBIO VIANNA (VICE-PRESIDENTE PARAMOUNT HOME ENTERTAINMENT AMÉRICA LATINA)

Existe uma real possibilidade de haver uma desoneração fiscal no setor de home video como esta sendo encaminhado no mercado fonográfico?

 

WOJDYSLAWSKI – Ainda não houve uma desoneração no mercado fonográfico. Existe um movimento e estão longe de conseguir. O Brasil é um País difícil de desonerar. Ele é deficitário. Precisa do dinheiro para investir. A exceção agora é o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para carros, geladeira, que é temporário. Você já viu uma desoneração fiscal neste País? Com exceção da briga política pelo CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), nunca ouvi falar de desoneração fiscal. Se tiver, vamos lidar com a situação e trazer as soluções para os nossos clientes.

 

JEFFERSON PUGSLEY (DIRETOR GERAL PARAMOUNT HOME ENTERTAINMENT)

Qual é a visão estratégica da Videolar para o mercado de vídeo para os próximos cinco anos?

 

WOJDYSLAWSKI – O nosso foco estratégico é o mercado de entretenimento e de home video. Hoje é o DVD, amanhã é o Blu-ray. O formato é o que o cliente quiser. Estamos aqui para atender o que o cliente quer.

 

CAPARELLI – O nome da Videolar significa muito para o mercado. Independente das concorrentes, sempre estivemos no mercado de home entertainment. Alguns estão entrando, outros vão sair. Não somos aventureiros nesse mercado. Hoje estamos estruturados, inovando, e estamos na frente para suportar esse crescimento que os outros formatos terão. Muita gente entrou nesse mercado depois. Pode ter certeza que vamos continuar a assinar Videolar e investindo no futuro. Enquanto houver home entertainment, nós vamos estar lá também.

 

WOJDYSLAWSKI – É, nós assinamos o nosso nome com “Vídeo”.

 

DILSON SANTOS

Poderemos ter em algum momento um depósito alfandegário na região Sudeste? Se sim, quando? Se não, quais as barreiras que existem?

 

WOJDYSLAWSKI – Temos um depósito alfandegário em Rezende (RJ) que não é eficiente. E a legislação não permite que trabalhemos com ele. Está em estudo pelo governo do Amazonas mais dois ou três locais para serem depósitos alfandegários nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Infelizmente, não posso me comprometer com o Dílson, por mais que eu queira. Somos os mais interessados. Lutamos muito por esse depósito, mas existe um jogo de política e isso dificulta. Infelizmente, não posso me comprometer. As barreiras são governamentais. Os governos que não se acertam. Governos não trabalham pela lógica. Eles têm uma lógica diferente.

 

WILSON CABRAL E JULIANO BOLZANI

Phillip, o senhor foi um dos pioneiros no processo de fabricação e distribuição de mídias gravadas no Brasil e também liderou a LK-Tel como distribuidora dos produtos Columbia (hoje, Sony Pictures Home Entertainment) no Brasil. E o mais importante, continua neste mercado e acreditando nele. Valeu e ainda vale a pena? No pesar da balança, o senhor acha que ganhou mais amigos ou inimigos?

 

WOJDYSLAWSKI – Valeu e com certeza vai continuar a valer a pena. É um mercado que cresceu

muito e é extremamente dinâmico. Aqui, lidamos com lançamentos todos os meses e cada um tem seu rótulo, sua etiqueta... Aqui, não tem jeitinho. Demanda profissionalismo e eficiência. Aprendemos muito com esse mercado. Se ganhei mais amigos ou inimigos... Eu sei que o Cabral é um amigo (risos). Um amigo que ganhei. Começamos juntos na LK-Tel. Mas se ganhei mais amigos ou inimigos, tem que perguntar para eles (risos).

 

CABRAL

Esta não é uma pergunta, mas um agradecimento: obrigado, Philip, por há 21 anos ter me dado a oportunidade de entrar neste mercado...

 

WOJDYSLAWSKI – Obrigado, Cabral. Nós passamos por muitas coisas boas juntos e vamos continuar passando. Ele é um pioneiro no mercado, que a vida inteira se dedicou muito e sempre se dedicou ao cliente. Isso os donos de locadora podem dizer. Um amigo muito fiel. Lógico que tenho um apreço por todos, mas foi com ele que comecei e conheço há tantos anos. Vai além do profissional.

 

LUIZ GRECCO (DIRETOR GERAL NBO EDITORA)

A Videolar sempre foi agressiva no mercado quanto a conquistar e manter seus clientes. Em muitos anos, poucas foram as vezes que a empresa perdeu um cliente. Ultimamente, com o aumento da concorrência, há muita troca de laboratório entre as distribuidoras. A empresa perdeu o entusiasmo em lutar por seus clientes? Com a chegada do Blu-ray, pode-se dizer que isso mudará e que é uma nova fase para que a Videolar volte a dominar o mercado?

 

CAPARELLI – Nunca perdemos clientes por deficiência ou por nível de serviço prestado. A casa sempre prezou pela satisfação do cliente. Não podemos obrigar os clientes a ficarem na nossa casa.

 

WOJDYSLAWSKI – É exatamente isso. Nós perdemos cliente nos últimos tempos por causa de preço. Perder cliente por causa de preço quando você é a número 1 é um grande problema. Só se bate em quem tem cliente. Não temos nenhum cliente que foi procurar outro fornecedor por estar insatisfeito com os resultados. Tem fornecedores que procuram nossos clientes. Quando alguém decide fazer um preço para tirar cliente, eventualmente vai tirar. Nunca deixamos o cliente sem produto e isso tem um custo enorme. Nós fazemos o que podemos. Nunca abrimos mãos de clientes.

 

DILSON SANTOS

Phillip, sabemos que o Lírio Parisotto sempre foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do nosso negócio no Brasil e um apaixonado pelo nosso negócio. Então, como você vê a Videolar sem a participação dele no dia-a-dia?

 

WOJDYSLAWSKI – Realmente foi o Lírio quem colocou suas mãos, seu suor e seu sangue pela Videolar. Ele deixou a Videolar estruturada de tal maneira para continuar o seu caminho. Ele não abandonou a Videolar, ele é o presidente do Conselho da companhia. Ele criou uma estrutura com todo esse trabalho feito durante todos esses anos. É o grande mérito do grande empreendedor: criar uma empresa e fazê-la andar sem a sua presença diária.

 

CAPARELLI – Estou aqui há dez anos e o Lírio participa não só do Conselho, mas tem agora o auxílio do Phillip na presidência para que continuemos preservando os valores que a companhia sempre teve. A companhia, muito mais do que pessoas, são os valores que ela consegue postergar.

 

WOJDYSLAWSKI – Esses valores de focar no cliente, no compartilhar dos problemas e das soluções, são ensinamentos que o Lírio deixou para nós. Ele deixou a companhia estruturada. O investimento no Blu-ray é a prova de algo feito após a gestão dele, de que estamos aqui para servir o mercado, de que somos “alfaiates”... Ele deixou esse legado e é isso que nós mantemos. Não houve e não haverá nenhuma mudança de filosofia na Videolar. É a mudança da pessoa que está no dia-a-dia. Não é uma mudança de filosofia.

 

WILSON FEITOSA

O senhor já pensou em convidar o Sr. Parisotto para reassumir a presidência da Videolar para ele ver como é bom administrar uma empresa num mercado em queda?

 

WOJDYSLAWSKI – O Lírio não abandonou a Videolar. Temos reuniões mensais. Às vezes, chegamos a nos reunir mais de uma vez por mês. Wilson, pode ter certeza que ele está sofrendo junto conosco! Estamos sofrendo juntos. O Lírio não está ausente, sem saber do que está acontecendo. Pelo contrário. Hoje, mais do que nunca, nós usamos a experiência e a sabedoria infinita que ele tem para lidar com diversos problemas que nos deparamos todos os dias. Não é que o Lírio não sabe o que é administrar uma empresa num mercado em queda, estamos juntos... Como havia falado antes dessa pergunta, o Lírio não abandonou a Videolar. Ele está junto e sofrendo com todos nós. O Lírio tem um amor especial pelo mercado. Ele construiu a carreira dele com esse mercado. E pode ter certeza que ele está sofrendo junto com todos nós.

 

VV – Que recado o senhor deixa para o mercado de home entertainment nessa entrada no século 21?

 

WOJDYSLAWSKI – Estamos entrando numa nova tecnologia. Vejo que fora da Videolar há uma grande expectativa quanto ao Bluray. Para nós, isso é uma mudança como foi do VHS para o DVD, como foi da fita cassete para o CD. Estamos tratando isso de forma natural, uma mudança de tecnologia. O recado é que temos que confiar nesse mercado. Não podemos deixar de confiar. E nós confiamos. Temos que ter confiança de que o entertainment nunca vai acabar. Hoje, o Blu-ray é a tecnologia em que estamos entrando. Amanhã, serão outras. Vamos rezar para Deus para vivermos longas vidas e vermos muitas mudanças de tecnologia. E vamos confiar em todas elas para continuar investindo. Não ter medo de mudanças. Estamos aqui para ficar e vamos até o fim. Estamos investindo. Hoje tem que ser melhor que ontem, e nessa luta, conseguimos um pouquinho mais. Nem sempre hoje é melhor do que ontem. Como eu disse: não temos medo da mudança, já passamos por isso. Vamos sobreviver. Que Deus só nos dê saúde para vivermos essas mudanças. Quando fomos do VHS para o DVD, pensamos que ia ser o fim do mundo. Vai acontecer a mesma coisa com o Blu-ray. Deus queira que sim! Mas se ele não quiser, ele vai querer outra coisa (risos).

 

 

Entrevista realizada por:

Vanessa Wohnrath e André Cavallini

Colaboração: Marcelo Wysocki

 

 

Setembro de 2009 - Videolar está preparada para iniciar a produção de Blu-Ray no Brasil - Ver Video

Setembro de 2005 - VIDEOLAR ADQUIRE ATIVOS DA SOMLIVRE.COM

Abril de 2004 - Videolar inicia o faturamento dos produtos DVD, VHS, CD e CD-Rom

   
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